6 de out de 2010

MEDICINA E ESPIRITISMO - Parte I

Este post é a primeira parte da palestra proferida na cidade de Porto Alegre pelo Dr. José Carlos Pereira Jotz*, sobre Medicina e Espiritismo. Por ser um texto longo dividimos esse trabalho em três partes para melhor entendimento do tema abordado.

Caros irmãos!

A presente palestra tem por objetivo transmitir algumas informações importantes para as pessoas que têm a doutrina espírita como uma filosofia de vida ou religião. Em outras palavras, para os que, a sua maneira, conseguem entender e re-ligarem-se a Deus, nosso Pai Maior. Julgamos serem informações importantes tendo em vista que diariamente constata-se um número muito grande de pessoas adoecendo, se desequilibrando mental e fisicamente, sem perceberem que estão procurando tratar apenas as conseqüências (sintomas físicos e mentais) sem chegar nas causas de seus problemas. Se continuarem persistindo nesta forma de encarar a saúde, é possível que muitos descubram, quando no retorno ao plano espiritual, que boa parte dos problemas ainda não terão sido resolvidos.

Assim, presumimos relevante abordar o tema: “O que é saúde e o que é doença à luz da doutrina espírita?”

Devido ao fato da medicina ter se especializado tanto, atualmente quando nos encontramos doentes, procuramos diretamente o médico especialista daquela área do corpo que está enferma. Passamos a achar normal falar “sou doente do estômago” ou “meu coração está com problemas” como se pudéssemos ter apenas um coração ou um estômago doentes sem que o todo estivesse em desequilíbrio.

Podemos dizer que doença e saúde se referem ao estado em que se encontram as pessoas e não ao estado de órgãos ou partes do corpo. Na medicina homeopática se fala em doentes e não em doenças. É o ser humano num todo que adoece, que se desequilibra e apresenta sintomas.


Da mesma forma não podemos dizer que apenas o corpo ou apenas a mente está doente. O corpo físico nunca está só doente ou só saudável, já que nele se expressam realmente as informações da consciência. Isto significa que o corpo serve como um sinal de alerta para expressar que o espírito está num nível de desequilíbrio exagerado. Certas manifestações ocorrem com relativa facilidade devido às predisposições que o indivíduo trouxe consigo. Dizemos que cada um adoece no que pode e não no que deseja. Assim, o corpo de um ser humano vivo deve seu funcionamento ao espírito que o habita. É o espírito que se sensibiliza num primeiro momento, sem que muitas vezes apresente sinais de estar desequilibrado. Conforme a sensibilidade da pessoa, uma pequena contrariedade já transmite imediatamente sinais ao corpo físico que se desorganiza e adoece. Por exemplo: Uma pessoa ouve algo que não gosta logo após o almoço. Como tem uma sensibilidade gástrica, acaba prejudicando a sua digestão e vomitando horas mais tarde. Buscamos como explicação no alimento que estaria estragado ou no fato de ter comido muita quantidade de comida, mas não percebemos a desarmonia espiritual ou emocional que pode ter predisposto a má digestão e conseqüente aparecimento de sintomas.

Quando as várias funções corporais se desenvolvem em conjunto dentro de uma harmonia, ele (ser humano) se encontra num estado que denominamos de saúde. Este conceito considera um equilíbrio de mente e corpo. Para falar em saúde integral, precisamos entender a harmonia compreendendo corpo, mente e espírito. Levando em conta que nosso espírito ainda carece de um maior equilíbrio, no estágio evolutivo em que nos encontramos, não podemos dizer que temos uma saúde perfeita. Isto é uma expectativa para futuras encarnações. Se uma função falha, ela compromete a harmonia do todo e então falamos que ele (ser humano) se encontra num estado de doença. A doença é a perda relativa da harmonia. Em termos físicos dizemos que a doença se manifesta por um desequilíbrio bioquímico ou celular. Até a “saúde” pode ser afetada por uma variação climática, mas normalmente não estamos acostumados a associar o sintoma físico ou emocional com algo mais sutil.

Esta perturbação da harmonia acontece ao nível de consciência, que é a parte espiritual do ser, enquanto o corpo é a forma de apresentação desta desarmonia. Precisamos estar atentos ao menor sinal de desarmonia nos nossos sentimentos, pois é a primeira indicação de que algo está ocorrendo na esfera do espírito, sede dos nossos sentimentos.

O nosso “não consciente” envia mensagens ao nosso “consciente”, sob a forma de tensões ou sofrimentos físicos e emocionais. Procurando “silenciar” esta tentativa de comunicação, utilizamos medicamentos para acabar com os sintomas, sem perceber o que gerou os mesmos. Principalmente na filosofia oriental, se aceita com mais facilidade que o corpo identifica, através de cada tipo de desarmonia, exatamente a causa para aquele distúrbio. No mundo em que vivemos, estamos eternamente correndo, procurando nos livrar de tudo aquilo que consideramos dispensáveis. Afinal, o que é a dor? Não é algo que apenas serve para atrapalhar? Por que ela apareceu? Não sabemos, nem temos interesse em saber. Somente queremos que ela suma o mais rápido possível, pois com isso poderemos voltar a realizar tudo aquilo que gostamos, mas estava nos desequilibrando. Se o medicamento não fizer o sintoma desaparecer em segundos, não é bom. Se o médico não acertar o remédio de primeira também não é bom. Às vezes, bom mesmo, no pensamento de alguns, é consultar o balconista da farmácia da esquina, que acertou com o nosso vizinho ao indicar aquele antibiótico de última geração, bem caro, mas que funciona. Ou quem sabe aquele antiinflamatório, que pode provocar diversos efeitos colaterais, mas que deu uma resposta rápida para o nosso parente. E assim, continuamos indo de infecção em infecção, de inflamação em inflamação, até que sintomas mais graves apareçam.

Para se dar conta de onde está situada a causa inicial, médicos e pacientes precisam aprender não apenas a perceber o que é visível na luz, mas também identificar o que está escondido na sombra. O que quer dizer isto? Quer dizer que nem sempre apenas o que aparece é a causa do problema. Não estou dizendo que precisamos pensar sempre nas exceções. Geralmente, quando se analisa a história de um paciente, observam-se as situações físicas que podem estar atuando como agentes desencadeadores do problema. É importante também pensar o que está por trás desta forma de desequilíbrio orgânico. Perceber como estávamos até recebermos uma certa notícia e observar como reagimos emocionalmente. Que sentimentos adormecidos surgiram naquele momento? Como isto afetou meu equilíbrio?

Por que médicos e pacientes precisam aprender a perceber onde está a causa inicial? Médicos porque têm o papel de orientar. Se não souberem a causa, irão tratar apenas a conseqüência. Pacientes porque são os principais interessados e responsáveis por sua cura. Estamos assim há quanto tempo? Continuaremos desta forma por quanto tempo ainda? Se o paciente não se interessa, deixando apenas na mão do médico para encontrar a causa do problema, tem grande chance de que consiga excelentes resultados transitórios, porém não um equilíbrio duradouro. Vamos entender melhor isto após comentarmos sobre o perispírito. Talvez algumas pessoas ainda não saibam bem o que é perispírito.

Sabemos todos que o perispírito: É preexistente e sobrevivente à morte do corpo material, transmitindo suas vontades ao corpo físico e as impressões do corpo físico ao espírito. Consideramos o perispírito como o intermediário entre o corpo físico e o espírito. Assim, quando desencarnamos, carregamos conosco, em nosso perispírito, todas as informações a respeito do equilíbrio ou desequilíbrio que estamos vivenciando naquele momento e todas as impressões, positivas ou negativas, que tivemos ao longo da existência.

Sabemos também que o envoltório carnal se modela e as células se agrupam de acordo com a forma perispiritual. O perispírito serve de molde para a formação do corpo físico, e também se ajusta às modificações que vão ocorrendo no corpo físico, trazendo alterações transitórias ao mesmo. Tudo aquilo que fazemos, quando beneficiamos ou prejudicamos outras pessoas tem repercussão em nosso ser.

Temos consciência de que as qualidades ou defeitos, faltas, abusos e vícios de existências passadas registrados no perispírito reaparecem no corpo físico como enfermidades e moléstias. Quando insistimos em certos tipos de comportamento ou em atitudes inadequadas, acabamos por gerar em nosso perispírito lesões, que irão se manifestar mais cedo ou mais tarde como disfunções físicas ou emocionais. Alguns hábitos como ingerir bebidas alcoólicas (com freqüência excessiva ou mesmo eventualmente em quantidade excessiva), comer em demasia, fumar, utilizar drogas como maconha, crack, cocaína, ou utilizar alucinógenos, acaba prejudicando o corpo físico. Como conseqüência, conforme o tempo de permanência do hábito, a programação espiritual que o próprio espírito havia traçado para si pode começar a sofrer mudanças, comprometendo a sua caminhada, já que ele terá, mais cedo ou mais tarde, que recuperar-se destes comportamentos inadequados.

Quando vamos repetindo escolhas que podem até trazer uma certa alegria num primeiro momento, mas em seguida geram desânimo, tristeza, melancolia pelas conseqüências negativas que muitas vezes estão associadas a estes eventos, estes sentimentos negativos vão interferindo na nossa auto-estima. Como conseqüência, alterações bioquímicas vão surgindo, interferindo na produção de neurotransmissores, alguns deles responsáveis pelo nosso estado de ânimo. Ocorre que, conforme estiverem os registros em nosso perispírito no momento de nosso desencarne, estaremos levando conosco os mesmos, os quais, por sua vez, estão associados aos quadros emocional e físico deste período. Desta forma, observamos que atualmente inúmeras almas já renascem “adoecidas”, ou seja, com os componentes psíquicos enfermiços. Em grande parte dos casos o componente inicial desta enfermidade é a falta de auto-amor. Devido a esta dificuldade em gostar de si mesmo, acabamos mantendo desarmonias psicológicas que continuarão a se manifestar na próxima encarnação. É necessário começarmos agora mesmo a busca de uma transformação. Não devemos esperar confiantes pela morte, achando que ela apagará tudo. O que deixamos de fazer numa existência, precisamos terminar em outra. Desta forma, conforme abordamos anteriormente, os vícios, os hábitos, os temperamentos, todos precisam de educação e disciplina. O ato de amar a si mesmo ainda é uma lição que todos temos de aprender. Muitas reencarnações têm por objetivo precípuo restabelecer o desejo de viver e recuperar a alegria de sentir-se em paz. Uma conseqüência da falta do auto-amor é a depressão.

Leia a continuação deste Post em Medicina e Espiritismo - Parte II.

*José Carlos Pereira Jotz é arquiteto, médico. Mestre em Ciências da Saúde: Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia / Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul. Trabalhador da Sociedade Espírita Bezerra de Menezes, em Porto Alegre – RS e Colaborador da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Com a finalidade de esclarecer, orientar e compartilhar aprendizados e conhecimentos a respeito das questões de saúde e espiritualidade, Sr. Jotz escreveu dois livros: “Espírito Saudável: Mente Sã e Corpo São e “Estresse e Hipertensão Arterial”, este é o primeiro volume da coleção “Harmonizando o Espírito – Exercícios Terapêuticos”. Conheça melhor o autor e seus trabalhos acessando o site: http://www.josecarlosjotz.net/

Nota: A divulgação desse material em nosso blog foi autorizada, via e-mail , pelo autor, ao qual  somos gratos por essa gentileza.
Imagem retirada da internet, caso haja direitos autorais favor nos avisar que a retiramos do blog imediatamente.

2 comentários:

  1. Muito boa a palestra dele... que venha a parte II!

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  2. Anônimo7/10/10

    Gostei muito da 1a. parte palestra do Dr. Carlos, realmente devemos ter consciência da plenitude da nossa saúde, física e espiritual. Aguardo ansiosa os próximos capitulos.
    abraços,
    Ana Maria Ribeiro
    S.P

    ResponderExcluir

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